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Colagem editorial de Marisa Sousa a espreitar por cima de um jornal aberto com o título Carácter, com uma pilha de livros, uma chávena, um manuscrito antigo, uma flor branca e um círculo vermelho.

Uma publicação da Máquina de Escrever

O que corre nas veias da escrita? O que faz pulsar o coração de um texto? Das dúvidas nasce uma proposta: olhar devagar para dentro da escrita, da voz, da linguagem e da memória.

VOZ

Ghostwriting: o ofício de escrever a voz dos outros

Há quase vinte e cinco séculos que há quem escreva palavras para outros as dizerem como suas. Hoje chama-se ghostwriting, arrasta fama de segredo e de pequena batota, e é uma das formas mais antigas de pôr uma vida por escrito. Quando é bem feito, é também das mais honestas.

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A frase que se faz passar por lei

A abertura de Anna Karénina transforma a felicidade numa regra e a infelicidade numa história singular. O romance começa, logo a seguir, a pôr essa sentença à prova.

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O dia em que D. Quixote encontrou o seu duplo impresso

Em 1614, apareceu uma continuação apócrifa das aventuras de D. Quixote. No ano seguinte, Cervantes fez entrar esse livro na sua própria ficção. A personagem lê a versão rival, muda de rumo e chega a pedir a uma das suas figuras que confirme, perante a lei, quem é o verdadeiro D. Quixote.

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O comentador que se instalou no poema

Em Pale Fire, um poema de 999 versos vem acompanhado por um prefácio, um comentário e um índice. O académico encarregado de o explicar começa a escrever por cima dele, e Nabokov faz dessa disputa a própria forma do romance.

ANATOMIA

Uma família começa pela morada

Eça de Queirós abriu Os Maias com uma casa, e não com uma pessoa. Lida devagar, a primeira página do romance já sabe como a história vai acabar.

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