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Para os seus filhos · crianças e jovens

Escrever fora das linhas

Uma palavra nova, na boca de uma criança, é sempre um acontecimento. Quem aprende «efémero» passa a semana a encontrá-lo em todo o lado, desde no gelado de domingo à paciência da mãe. É com esse espanto que trabalho. Escolhemos livros, fazemos perguntas às personagens e descobrimos que uma frase pode ter uma porta secreta por onde ninguém tinha entrado. Lemos os clássicos com curiosidade e alguma falta de cerimónia. Inventamos palavras, esticamos verbos e escrevemos. Às vezes, começa tudo com uma ideia que parecia não ter pés nem cabeça.

  • 01

    Livros à procura de um humano

    Escolha de livros e acompanhamento de leitura

    Há um livro à procura de alguém que se ri das mesmas coisas que ele; outro precisa de quem tenha coragem de entrar numa floresta na segunda página. Escolhemos as leituras a meias, com direito a «este não» e a mudar de ideias. Preparo um guia com pistas, perguntas e pequenos desafios. Lemos juntos, em voz alta, e deixamos caminho para continuar a sós. No fim, conversamos sobre as personagens que passaram a comer à mesa com connosco e sobre aquelas que precisavam de ouvir umas verdades.

  • 02

    Os clássicos também se despenteiam

    Descoberta e leitura acompanhada dos clássicos

    Vamos fazer perguntas um bocadinho indiscretas aos livros que toda a gente manda ler. O que aflige este gigante? Porque é que ninguém desconfia daquele sujeito? E quem decidiu que a história tinha de acabar assim? Entramos pelas passagens que despertam curiosidade, lemos em voz alta e procuramos o humor, os sarilhos e as perguntas que continuam por resolver. Há licença para discordar, voltar atrás e pedir explicações. Com os mais velhos, retomamos também livros abandonados e descobrimos outros que nunca pensaram abrir.

  • 03

    Repartição das ideias esquisitas

    Sessões de escrita criativa, individuais ou em pequenos grupos

    Aceitam-se palavras por inventar, personagens sem história e histórias que ainda só têm um sapato. Podemos escrever a reclamação do Adamastor depois de ver passar Vasco da Gama, inventar uma profissão para alguém que sabe ouvir pensamentos de torradeiras, ou começar com uma pergunta muito séria: quem roubou o resto desta frase? Depois, damos trabalho à imaginação: escolhemos palavras, construímos personagens, experimentamos caminhos e revemos o que escrevemos. Em sessões avulsas ou ciclos mais longos, cada ideia tem tempo para descobrir ao que veio.

  • 04

    Na capa diz o meu nome

    Criação do primeiro livro

    Primeiro há um rabisco, depois aparece alguém que quer alguma coisa, alguém desaparece, enganamo-nos na estrada e já precisamos de mais folhas.

    Acompanho cada criança na criação da sua história, da primeira ideia à última revisão. Ela escreve, ilustra, escolhe um título e descobre quantas decisões cabem dentro de um livro. No fim, a história é impressa, com capa, páginas e o nome de quem a inventou. Convém ir treinando o autógrafo e as fotografias com os fãs.

  • 05

    Esta turma anda a tramar um livro

    Projetos para escolas, bibliotecas e ATL

    Uma personagem desapareceu entre a sala de aula e a biblioteca, há vinte e três suspeitos, todos com lápis na mão e cada um tem uma versão dos acontecimentos.

    É uma das formas de começar. Desenho sessões de leitura, atividades de escrita e projetos ao longo do ano letivo com professores, bibliotecários e equipas educativas. Lemos, inventamos, discutimos escolhas e aprendemos a dar espaço às ideias uns dos outros. O projeto pode terminar num livro coletivo. O difícil será guardar segredo até à última página.

Vamos tramar uma história?

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